...porque somos jovens, giras e gostamos de aproveitar ao máximo a companhia dos amigos e daqueles de quem gostamos...
Sábado, 13 de Novembro de 2010

Excepções precisam-se com urgência!

(Aviso: as estimanas continuam em stand-by… enquanto não nos reorganizamos, mais uma vez, tomo conta aqui da loja… é o último desabafo, prometo, mas não deve ser fácil...!)

 

Era uma vez uma menina muito bonita que tinha uma pequena (muito pequenina!) doença renal. Um dia, o médico que a acompanhava pediu-lhe que participasse num estudo cujos objectivos eram, a longo prazo, contribuir para a investigação da doença de Berger (a tal pequenina) e a médio prazo serviria para provar que o estado, ao não comparticipar um medicamento específico para os doentes renais, estaria a contribuir para uma maior deterioração dos pacientes. A menina, desejosa de ajudar, disse que sim que participava no estudo. Para isso, teria de se deslocar pelo menos 6 vezes ao hospital, pagando a gasolina e portagens do seu bolso e disponibilizar-se para uma série de exames efectuados em três departamentos: nefrologia, ortopedia e cardiologia. Com paciência e cuidado a menina lá foi cumprindo todas as exigências médicas. Afinal era por uma boa causa e ela só queria ajudar. Os últimos exames passariam por uma deslocação ao hospital de dois dias seguidos, a uma hora específica – o primeiro para os RX e colocação de um holter, o segundo para retirada e devolução do aparelho cardíaco. Para facilitar e porque a menina não gosta de faltar ao seu emprego, marcou os tais 2 dias a 11 e 12 de Novembro. Como o dia 11 é feriado municipal, a menina assim só faltaria um dia ao seu serviço. Suspeitando que os serviços administrativos da cardiologia funcionavam muito mal, no 1º dia a menina referiu que precisaria de uma justificação plausível para entregar no seu emprego no dia seguinte. Que sim, que ficasse descansada porque os serviços passar-lhe-iam um comprovativo que justificasse a sua ausência ao serviço.

Na sexta-feira, a menina da nossa estória entrou no gabinete da médica para tirar o holter, em jejum e sem tomar banho, e em 15 minutos ficou despachada. Quando se dirigiu aos serviços administrativos recebeu um papel com duas linhas que atestava a presença da menina naquele local, das 12h50 às 13h05. Incrédula, a menina pediu satisfações, enervou-se, perguntou como podia justificar a um superior hierárquico ter pedido um dia para exames e chegar lá com um papel completamente descontextualizado que confirmava a sua presença a 50 Km de sua casa e do trabalho ao longo de 15 minutos? Mas que raio teria ela ido fazer àquele hospital durante 15 minutos? E para isso precisaria de tirar o dia? – pensariam e com razão.

Argumentos: porque não podemos contrariar o sistema informático; porque não nos podemos responsabilizar se pusermos mais tempo; porque o nosso chefe do serviço não autoriza, porque não pode haver regime de excepção…blá, blá, blá. Ora se a menina estava ali exactamente em situação extraordinária por que raio não haveria de haver uma excepção para o seu caso? Teve de ir falar com o médico que a acompanhava (por sorte estava de serviço) que lhe passou uma declaração, sem mentiras, contextualizando a sua presença naquele hospital durante aquele tempo.

 

Moral da estória: não será a excepção que faz com que sejamos todos considerados como pessoas, com especificidades próprias, únicas, e não autómatos em que somos tratados como chapa 5? Já cansa esta espécie de filosofia barata da preguiça que paira sobre a nossa sociedade… é que dá muito trabalho fazer as coisas do princípio ao fim, prever situações, tratar caso a caso. O mais fácil é ser tudo igual, com os mesmo papéis, a mesma forma da fazer, de avaliar, de comer, de dançar… que monotonia, credo! E que injustiças, sobretudo!

 

Aquele abraço e obrigada pela paciência!

Pal

 

P.S. Teria sido um dia da treta se não terminasse com um saboroso lanche junto das estimanas e do Santiago (ainda sem banho tomado, mas com muito, muito perfume – à boa maneira egípcia).

 

publicado por uma das estimanas às 18:36
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5 comentários:
De uma das estimanas a 13 de Novembro de 2010 às 22:28
Como te compreendo Estimada Mana...
Aos olhos dos serviços ( maioritariamente do estado) somos Todos iguais! Não temos nome, valores, dignidade e como tu bem dizes, sem especificidades próprias.
Nunca George Orwell esteve tão actual!!!!
Bjokas às estimanas. Obg pela visita e carinho
Nádia


De uma das estimanas a 14 de Novembro de 2010 às 15:28
É o retrato do nosso Portugalzinho, muito burocrático, cheio de papéis e papelotes e sem consideração pelas particularidades de cada um. Merecias ser tratada com mais respeito, tu, a menina da estória que até se dispôs a fazer algo em prol dos outros... Bahhhhhhh!
beijos e mil sorrisos
:o))


De LM a 23 de Novembro de 2010 às 14:27
Computer says ''No''!



Beijinhos!


De uma das estimanas a 23 de Novembro de 2010 às 19:50
Tal e qual :-)
É o nosso "Little Portugal" em todo o seu esplendor!
(Que saudades tenho desta série...) O LM sempre na linha da frente!
Beijocas
pal


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